Guarapuava entrou para uma lista de cidades do Paraná que possuem parques sensoriais específicos para crianças com transtorno do espectro autista. Essa estrutura só não é novidade nos grandes centros urbanos do estado, como Curitiba, Cascavel e Londrina.
O parque foi construído na sede da Associação Guarapuava Mundo Azul (AGMA) que promove atividades e ajuda psicológica para pessoas autistas e suas famílias.
Thiago Kowalski (14) foi diagnosticado com autismo aos dez anos, e desde então seus pais se associaram ao AGMA para poder obter suporte gratuito de diferentes profissionais. A mãe dele, Juliana Kowalski, percebeu que a partir do momento que o Thiago pode ter acesso ao parque sensorial ele desenvolveu habilidades de socialização, comunicação e atenção.
“Como mãe também aprendo todos os dias sobre o autismo e suas particularidades, antes do parque não tinha consciência que às vezes brincadeiras simples poderiam dar tão certo. Na verdade, nós pais de atípicos aprendemos muito uns com os outros trocando informações, situações vividas nos grupos de apoio que o AGMA proporciona às famílias” relata Juliana.
O projeto em Guarapuava foi idealizado por membros do AGMA e pela arquiteta Ana Rosa Esteche, que tinha se sensibilizado pela causa desde a época da faculdade. “Formulei o projeto do parque e seus brinquedos considerando as alterações sensoriais comuns do autismo, como visuais, auditivas, táteis, cognitivas, olfativas, e proprioceptivas que é a dificuldade de sensações do próprio corpo” destacou a arquiteta.

O jogo da memória aprimora a capacidade de foco, concentração e habilidades de pensamento lógico da criança. Fonte: Ana Nicoletti
Ana explicou a utilidade de cada brinquedo implantado no parque. O ábaco, para a estimulação da cognição da criança, o jogo de memória que trabalha a concentração, atenção, desenvolvimento do raciocínio.

Fonte: Ana Nicoletti
A pista tátil é feita de materiais reciclados, pedras de diferentes formatos e bambus que ajudam na sensibilidade corporal da criança. O xilofone de metal para a provocação auditiva e o recanto de plantas que auxilia em estímulos olfativos e gustativos.

Fonte: Ana Nicoletti
O parque também foi construído pensando em medidas e assentos com acessibilidade para cadeirantes e pista de caminhada entre os brinquedos para atividades fisioterápicas.
Para a pessoa autista, caracterizado por suas particularidades nas relações sociais, tudo em nossa volta pode ser um estímulo, especialmente aqueles projetados para atividades que englobam aspectos sensoriais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde uma em cada 160 crianças são diagnosticadas com transtorno do espectro autista, e são crianças que em sua maioria não tem fácil acesso a parques recreativos adaptados para a condição.






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