Não há nada propriamente novo no que será dito aqui. E, ainda assim, é preciso repetir. Basta olhar ao redor: arquibancadas que começam a se preencher de forma mais constante, transmissões que surgem em horários ainda irregulares, clubes que avançam e outros que retrocedem. Afinal, qual é a história do futebol feminino? E como está a modalidade hoje?
As decisões recentes de alguns dos clubes mais tradicionais do país ajudam a responder. Cortes orçamentários no feminino seguem acontecendo justamente em temporadas em que a modalidade bate recordes de público, audiência e arrecadação.
Mesmo com transmissões mais assistidas, muitas equipes treinam em campos menores que os usados por categorias de base masculinas, com vestiários improvisados e infraestrutura precária. O discurso de que “futebol feminino não dá retorno” se mantém principalmente por quem, ano após ano, decide não investir.
Os números recentes mostram outro cenário. Público crescente, mais audiência, evolução técnica, clubes se fortalecendo com investimento e repercussão internacional comprovam que o futebol feminino desperta interesse, movimenta dinheiro e gera resultados. O que ainda falta – e impede avanços maiores – é a vontade e o compromisso das instituições responsáveis.
O país que corre com o futuro, mas tropeça no passado

Embora o Brasil seja considerado o país do futebol, essa definição sempre se referiu a um futebol específico: o masculino. E para entender o porquê disso, é preciso voltar um pouco na história.
Durante o século XX, consolidou-se a ideia de que alguns esportes eram “de homens” e outros “de mulheres”. Não se tratava de uma distinção natural, mas de uma construção social voltada a garantir a superioridade masculina e manter as mulheres associadas à domesticidade e à esfera reprodutiva.
No início do século passado, quando as grandes cidades brasileiras passavam por reformas inspiradas nos modelos europeus de modernização, o esporte foi adotado pelas elites como símbolo de progresso. Ele representava disciplina, estética corporal e formação moral – atributos entendidos como essenciais para moldar a nova sociedade urbana.
Nesse cenário, os clubes esportivos se multiplicaram, mas o acesso era limitado: jovens homens, geralmente brancos e de famílias influentes, eram os protagonistas. O futebol, recém-introduzido por Charles Miller, tornou-se o centro dessa sociabilidade masculina. Às mulheres, então, restava o papel de espectadoras (mães, esposas e filhas assistindo da arquibancada).
Com o avanço do projeto de modernidade no país, especialmente entre homens e mulheres da elite branca, ampliou-se a valorização de corpos considerados saudáveis e esteticamente atraentes.
Nesse contexto, segundo a pesquisadora Aira Bonfim, os espaços que sediavam partidas de futebol masculino também passaram a receber pequenas competições recreativas destinadas ao público feminino, divulgadas pela imprensa como “festas sportivas”. Eram atividades de caráter lúdico, entendidas como adequadas às mulheres e meninas, como corridas de batatas, de ovos, de sacos e disputas de travesseiro.



Aos poucos, essas festas passaram a incluir práticas mais estruturadas, como patinação, ciclismo, natação e corrida, e a presença feminina começou a aparecer com mais frequência nas páginas dos jornais e no boca-a-boca da população, principalmente quando a mulher começou a jogar futebol.
Não há consenso sobre a primeira partida oficial de futebol feminino: autores citam um jogo realizado em 1921, entre moças de Tremembé e Cantareira, em São Paulo; outros apontam registros anteriores, como o time formado por meninas do Vila Isabel Futebol Clube, no Rio de Janeiro, em 1915.
Nos anos seguintes, as partidas ficaram mais recorrentes e mais mulheres começaram a participar. Foi justamente essa popularização que provocou uma reação. À medida que mais mulheres passaram a se aventurar no futebol e em outras práticas físicas consideradas “excessivas”, médicos, autoridades e setores conservadores passaram a argumentar que tais esforços poderiam comprometer a saúde feminina, especialmente a reprodutiva.
Em artigos da época, suor, rivalidade e músculos eram tratados como ameaças ao ideal de feminilidade. Práticas comuns do esporte, como roupas leves, liberdade de movimento, contato físico, eram vistas como perigos que deslocariam mulheres de seu “lugar social”.


“Acho que esses elementos feriam uma representação que se tinha na época do ser mulher, que ela estava muito treinada ao ser mãe, recatada, do lar, mais circunscrita às atividades domésticas”, afirma Silvana Vilodre Goellner, professora visitante da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e principal referência na temática mulher e esporte.
Confira aqui o trecho da entrevista.
Essas ideias ganharam tanta força que acabaram sancionadas pelo Estado. Em 1941, durante o governo Vargas, foi publicado o Decreto-Lei nº 3.199, que proibia mulheres de participarem de esportes considerados inadequados à sua “natureza”, entre eles o futebol.
A legislação não eliminou a prática, mas a empurrou para a informalidade. O futebol feminino sobreviveu em clubes recreativos, festas suburbanas e campos de terra.
Por quase quatro décadas, mulheres brasileiras foram legalmente impedidas de praticar o esporte que mais mobiliza paixões no país. Não poderiam treinar, competir, se profissionalizar. E mesmo assim, continuaram jogando, escondidas, improvisando torneios, atuando em campeonatos clandestinos, insistindo em ocupar um espaço do qual oficialmente não podiam participar.
O problema não estava apenas na proibição em si, mas no seu efeito duradouro. A legislação ajudou a destruir arquivos, impedir a produção de estatísticas e a acabar com diversas equipes. A revogação do mesmo só chegaria em 1979.
Mesmo assim, o fim da barreira legal não significou, de imediato, uma nova perspectiva para o futebol feminino. Faltavam políticas públicas, investimento e o mínimo de estrutura para organizar competições regionais.
Só nos anos 1980 o cenário começou a se transformar: surgiram as primeiras competições oficiais e a Seleção Brasileira passou a disputar torneios internacionais, incluindo a primeira Copa do Mundo feminina, em 1991, e as Olimpíadas de Atlanta, em 1996.




No entanto, nem o quarto lugar nas Olimpíadas, nem o bronze na Copa de 1999 foram suficientes para garantir que o futebol feminino tivesse caminhos semelhantes aos do masculino. A modalidade avançou, recuou, sobrevivendo entre muita resistência.

Movimento sanfona: cobertura midiática é sazonal
Se a proibição formal acabou, o apagamento histórico da mulher no futebol permaneceu em outras formas (e a mídia teve papel determinante nisso). Para entender a desigualdade atual, basta olhar quantas manchetes, reportagens, programas e transmissões se dedicaram ao futebol feminino nas últimas décadas. A conta é fácil: pouco.
Ao dialogar com os estudos de Ludmila Mourão e Marcia Morel, a pesquisadora Soraya Barreto observa que o futebol de mulheres no Brasil passou pelo chamado “efeito sanfona”, que se traduz em uma presença instável e descontínua na mídia. “Com períodos de visibilidade quando aconteciam as Olimpíadas ou a Copa (do Mundo). E uma visibilidade muito questionável porque as pessoas não ouviam falar, eram em instâncias muito específicas que apareciam essas notícias ou essa cobertura”, afirma a professora do Departamento de Comunicação Social da UFPE.
Assista o trecho da entrevista.
A pergunta que aparece nas pesquisas de Soraya não é só “por que se fala pouco?”, mas “por que se fala apenas em determinados momentos?”. A resposta passa pela própria lógica de noticiabilidade do esporte brasileiro, historicamente construída a partir da performance masculina e orientada por valores como rivalidade entre grandes clubes, cobertura diária do mercado de transferências, bastidores e histórias que, por décadas, foram narradas exclusivamente a partir da perspectiva masculina.
“A gente precisa de mais mulheres na gestão do futebol. Isso talvez não resolva tudo, mas pode ajudar a dar mais visibilidade. Na verdade, falta interesse do mercado em investir. A cultura do futebol praticado por homens não surgiu do nada: por muito tempo não havia torcida nem interesse, e foi preciso um processo gradual para construir essa cultura e esse consumo que hoje a gente vê”, aponta a pesquisadora.
As modalidades só crescem com constância, explica Soraya, e uma cobertura que expande e retrocede não sustenta patrocínios, não cria hábitos, não forma público, não constrói memória. A menina de 10 anos que vê Ary Borges na Copa não encontra a mesma Ary na TV dois meses depois. E assim, a construção de ídolos fica prejudicada e a formação de imaginário coletivo, também.
Mesmo hoje, com maior presença do tema no noticiário, a cobertura ainda sofre dos mesmos vícios: avalia-se a modalidade pela régua masculina, sem considerar contexto, estrutura ou histórico. E por isso, comparações como “ah, mas o jogo é mais lento” funcionam como justificativas para manter a modalidade inferiorizada.
Visibilidade e mídia: o que aconteceu com as redes sociais?
A trajetória do futebol feminino na mídia brasileira não é só marcada pela falta de cobertura, mas pela transformação recente da forma de consumo. Hoje, é impossível falar de visibilidade sem mencionar a internet e as novas plataformas digitais.
O projeto Dibradoras, co-fundado por Renata Mendonça, é um exemplo desse movimento. Canal de mídia e produtora de conteúdo, ele apresenta o protagonismo feminino no esporte desde 2015.
“A internet era o único lugar onde o futebol feminino existia de forma contínua. A TV não falava, os jornais quase não falavam. Então, o público cresceu ali”, explica Renata, que também atua como comentarista no grupo Globo.
Mais recentemente, o streaming trouxe outra lógica. As plataformas, que precisam de conteúdo constante, passaram a perceber que o futebol feminino atrai um público que a mídia tradicional muitas vezes não atende. Transmissões de campeonatos estaduais e nacionais ganharam espaço não apenas pelo interesse esportivo, mas também por preencherem a programação.
Na TV aberta, entretanto, a disputa é diferente. Cada transmissão exige ajustes na grade, negociação com patrocinadores e alinhamento com estruturas de audiência já consolidadas.
“Nada é simplesmente ‘vamos passar o jogo’. É preciso negociar com patrocinadores, ajustar grade, convencer partes internas. O futebol masculino tem 60 anos de consolidação. O feminino, não”, observa Renata.
Da quadra ao campo: quais as limitações do país?
Se há um lugar onde todas essas estruturas – apagamento histórico, mídia oscilante, falta de base, precariedade – se encontram, é na vida das meninas que tentam se profissionalizar. A história de Isadora Gavilan, 17 anos, sintetiza isso de maneira bastante contundente.
A trajetória dela no esporte começou aos oito anos, no futsal, caminho comum para quase todas as meninas que tentam entrar no futebol no Brasil. A ausência histórica de categorias de base no campo e a dificuldade de acesso a clubes levam muitas atletas a se desenvolverem primeiro nas quadras, onde os projetos são mais acessíveis e menos segregados. Ela iniciou os treinos quando o pai a inscreveu em uma escolinha onde moravam, em Dourados (MS), sendo a única menina no grupo.
Aos 12 anos, deixou a escolinha e passou a treinar no Instituto AEFA, projeto social de destaque na região, motivada pela percepção da família de que precisava de desafios maiores.
“Meu pai dizia que eu precisava evoluir mais”, lembra. No Aefa, encontrou um ambiente mais competitivo, metodologias mais avançadas e visibilidade dentro do circuito regional, mesmo em um espaço ainda majoritariamente masculino.
“Quando chegou ali pelos 13 para 14 anos, eu já não pude mais disputar. Até os 13, 14, as meninas ainda podiam jogar competições oficiais com os meninos. Mas sempre foi muito complicado, né? Primeiro por causa do preconceito. As pessoas já chegavam olhando diferente pra você, por você ser menina e, no meu caso, a única menina”.
Durante o período em que atuava pelo Instituto, Isa treinava e competia com equipes masculinas de futsal. Em uma edição da Copa Sesc, para a qual o time havia se classificado, os técnicos informaram à organização que havia uma jogadora inscrita.
“Eles insistiram que não podia, que eu não iria jogar. E o que me deixou muito feliz foi que a Aefa, que era o meu time, saiu da competição justamente porque não me deixaram participar. Fiquei contente pela decisão deles e por ver que aquilo quebrava um preconceito que ainda existia”, conta a atleta.
Aos 14 anos, Isadora foi chamada para integrar o time feminino da cidade. Nessa fase, vídeos seus começaram a circular entre treinadoras de outros clubes, chegando à AAIFS, em Manoel Ribas (PR), para onde se mudou.
No mesmo ano, subiu para a categoria sub-15, permanecendo nas equipes de futsal até os 17 anos, idade em que jogadoras começam a fazer a transição para o futebol adulto ou enfrentar o risco de estagnação, especialmente em regiões onde a estrutura é limitada e as competições são mais esporádicas.

Hoje, de volta a Dourados, Isadora divide a rotina entre estudos, treinos e planos claros para se profissionalizar, contando com apoio de agentes e profissionais de saúde. Ainda assim, sua história evidencia que, mesmo com a expansão de campeonatos femininos, a base permanece marcada por poucas peneiras, ausência de competições estruturadas para sub-9, sub-11 e sub-13, descontinuidade de clubes, calendários curtos, viagens longas sem suporte e baixa visibilidade.
Para assistir ao depoimento de Isadora sobre o que o futebol representa em sua vida, confira o vídeo abaixo.
A política dos clubes e a falta de projetos
Ao longo desse texto, já falamos sobre muitos dos problemas que o futebol feminino enfrenta no país. Precisamos agora falar sobre, talvez, o principal deles: a falta de vontade institucional.
“O futebol masculino não precisou pedir licença para existir. O feminino precisa pedir licença todos os dias”, declara Renata Mendonça.
Para a jornalista, essa necessidade contínua de justificar a modalidade é consequência de um ambiente diretivo majoritariamente masculino, que, historicamente, não vê o futebol de mulheres como prioridade e, muitas vezes, sequer o vê como um esporte que tem potencial de investimento.

Ela explica que, em reuniões internas de clubes e federações, o futebol feminino é tratado como uma espécie obrigação, algo que existe para “cumprir tabela”. Isso ocorre porque, desde 2019, todos os clubes que disputam a Série A, a Copa Libertadores da América e a Copa Sul-Americana são obrigados a ter equipes femininas.
O resultado é uma expansão artificial. Isso significa dizer que clubes criam departamentos sem planejamento suficiente, sem estrutura, sem orçamento, sem projeto de longo prazo. E da mesma forma que surgem, desaparecem.
“Muitos dirigentes não conseguem enxergar que o futebol feminino pode ser relevante. Não acreditam na modalidade. E, quando não se acredita, não se investe”, completa Mendonça.
O Flamengo, por exemplo, o clube carioca que figura entre os maiores em receita, torcida e projeção internacional do futebol brasileiro, virou símbolo dessa ideia. Em outubro de 2025, Renata Mendonça publicou um vídeo que expõe as condições precárias de trabalho do elenco feminino. As imagens mostram o espaço onde as atletas treinam desde o início do ano, no Centro de Futebol Zico (CFZ), administrado pela gestão do presidente rubro-negro Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
No registro, o vestiário destinado às jogadoras é sinalizado apenas por um papel A4 colado na porta e uma lixeira posicionada à frente da entrada. Segundo Renata, o ambiente pode ser acessado livremente por qualquer pessoa que circule pelo local. Dentro do vestiário, o cenário é de abandono: chuveiros com peças quebradas, azulejos danificados e falta de estrutura básica para um time profissional.
Quando o CFZ recebe eventos e o espaço fica indisponível, as 29 atletas são direcionadas a um vestiário improvisado dentro de um contêiner. No vídeo, a água que sai da torneira é completamente marrom, com aspecto barrento. As condições do campo de treino também fogem ao mínimo recomendado: o espaço tem 54 metros de largura por 85 de comprimento, medidas bem inferiores às referências da Fifa, de 68m x 105m.
A denúncia viralizou no mesmo momento em que o Flamengo anunciou a readequação do orçamento destinado ao futebol feminino, o que, na prática, significa redução de investimento. O corte ocorre a menos de dois anos da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada pela primeira vez no Brasil e na América do Sul.
Assista ao vídeo completo publicado por Renata nas redes sociais do Dibradoras.
O Flamengo, porém, não é o único clube a encolher seu planejamento para a modalidade. No Santos, o impacto é ainda mais profundo. Mesmo após conquistar o acesso à elite do Brasileirão Feminino para 2026, as Sereias da Vila terão um orçamento 54% menor em relação a 2025.
Segundo a Proposta Orçamentária apresentada em 1º de dezembro ao Conselho Deliberativo, o clube pretende destinar R$ 4.560.346 ao futebol feminino no ano que vem (menos da metade dos R$ 9.902.538 investidos em 2025). Dentro do orçamento total santista de R$ 513 milhões, apenas 0,87% será direcionado à modalidade. Para efeito de comparação, em 2025 o índice era de 2,51%.

A redução orçamentária e a reorganização das prioridades financeiras deixam claro que, para o Santos, o feminino ainda não é tratado como uma parte estratégica, ao contrário das categorias masculinas e da equipe principal, que absorvem a maior parte dos recursos disponíveis.
Esses dois casos, Flamengo e Santos, representam um padrão que se repete em partes distintas do futebol brasileiro: os clubes seguem tratando o futebol feminino como uma obrigação a ser cumprida.
O público está chegando
Será que o futebol feminino não dá retorno? Não tem potencial de investimento, de público e de patrocínios? A realidade está mostrando um cenário bem diferente dessas antigas desculpas
A partida que garantiu o sétimo título brasileiro ao Corinthians, por exemplo, não apenas lotou a Neo Química Arena com mais de 41 mil torcedores, como rendeu R$ 1,237 milhão em bilheteria, a maior arrecadação da história do futebol feminino de clubes no Brasil.
O Cruzeiro foi um dos times que também melhor ilustrou o potencial comercial do futebol feminino nesta temporada. Finalista da competição nacional, o clube registrou R$ 772 mil em bilheteria, aumento de 1.041% em relação aos R$ 67 mil arrecadados em 2024.O clube também bateu dois recordes de público do futebol feminino em Minas Gerais:
- 13.533 torcedores na semifinal contra o Palmeiras, na Arena Independência.
- 19.165 torcedores no jogo de ida da final contra o Corinthians, no mesmo estádio.
A arrecadação total do Brasileirão chegou a R$ 3,4 milhões em 2025, aumento de 13,4% em relação a 2024 e de 52,3% em comparação com 2023.
O comportamento do público também apareceu na audiência. Segundo levantamento do Dibradoras:
- 9,5 milhões de pessoas assistiram à competição no Sportv.
- A final foi líder de audiência em São Paulo.
- No Globoplay, o torneio registrou crescimento de 29% no alcance em relação a 2024.
- Foram transmitidos 50 jogos, aumento de 19%.
Audiência é retorno. Bilheteria é retorno. Patrocínio é retorno. E talvez o dado mais ilustrativo seja o que vem de fora do Brasil.
A Eurocopa Feminina de 2025 consolidou o maior desempenho comercial e de público da história: 128 milhões de euros em receita, dez vezes mais que 2017; 72 milhões em direitos de mídia, com transmissão para cerca de 200 países; 657 mil torcedores nos estádios; e uma taxa de ocupação média de 97% (29 dos 31 jogos com ingressos esgotados) .
O calendário brasileiro para 2026
Em 24 de novembro de 2025, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou o Calendário do Futebol Feminino para 2026, um documento que sinaliza mais clubes, mais datas, mais competições, aumento de premiação e cobertura ampliada, já vislumbrando o potencial financeiro acompanhado pelo exemplo europeu.
Pela primeira vez desde a profissionalização formalizada, o calendário nacional pretende abarcar uma série de mudanças significativas.
A Série A1, principal divisão do futebol feminino nacional, passará de 16 para 18 clubes e terá uma extensão de disputas que vai de 15 de fevereiro a 4 de outubro, o que representa uma temporada praticamente completa. A Copa do Brasil Feminina também cresceu em confrontos e datas, adotando, principalmente, jogos em ida e volta em fases decisivas.
Esses ajustes no calendário também caminham em direção ao objetivo de preparar melhor o país para o Mundial de Futebol Feminino de 2027, que será sediado pelo Brasil e que, segundo Mendonça e Goellner, pode impulsionar ainda mais a visibilidade e o investimento na modalidade.





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