A ideia para esta pauta surgiu de uma indagação. Nossa sociedade é, de certa forma, conservadora, pró-vida, “a favor” da maternidade. Maternidade essa, muitas vezes, compulsória. Quem é mulher sabe o que é sentir essa pressão de gerar, de ser vista como uma máquina de reprodução ou, até mesmo, como uma “árvore seca”, que não dá frutos.
Por outro lado, quem de fato se torna mãe, de forma planejada ou não, sente outros efeitos. Se voltar a trabalhar após ter um filho, está errada. Se deixar o trabalho para se dedicar à maternidade, está errada. Se quer ousar amamentar o filho numa praça de alimentação (que ironia), está, de novo, errada.
Qualquer escolha ou comportamento relativo à maternidade se torna alvo de julgamento. Como pode, então, a sociedade desejar que sejamos mães, para depois nos condenar por qualquer coisa que façamos, enquanto mães?
Bianca Silva é a personagem que norteia parte desse destrinchar. Ela é estudante de Pedagogia e mãe da Bibiana, de dois anos. A gravidez não foi planejada mas, mesmo assim, tranquila, pois ser mãe sempre foi um sonho para a jovem. Na época, Bianca trabalhava numa empresa de telefonia, mas saiu de lá para se dedicar à graduação e à maternidade.
Outro motivo para essa saída foi a pressão psicológica que sofreu no ambiente de trabalho. “Como eu estava grávida, eles tentaram de todas as formas fazer com que eu saísse, para que não precisassem garantir os meus direitos”, conta.

Ter uma rede de apoio foi fundamental durante a gestação de Bianca e após o nascimento de Bibiana. Fonte: Arquivo pessoal. Fonte: Arquivo pessoal.
Bianca teve a família como rede de apoio durante toda a gestação. Mesmo assim, sofreu com comentários pontuais de pessoas mais conservadoras sobre ser mãe solo. “As pessoas que estavam à volta, as mais conservadoras, mais velhas, por conta de ser mãe solo, falando que se ela (Bibiana) tinha um pai, eu deveria me casar”.
A estudante iniciou a graduação quando estava com seis meses de gestação e, no início, escondeu a gravidez por um tempo, por temer o ambiente novo da universidade.
“Eu senti muito medo da faculdade, porque é um ambiente diferente, pessoas totalmente desconhecidas. Teve um dia que eu fui obrigada a comentar, mas o pessoal me acolheu, a maioria eram mulheres, que eram mães, então super me acolheram”.
Apesar da experiência de Bianca ser mais tranquila, se comparada a muitas outras situações comuns, fatores que envolvem licença maternidade, amamentação e o próprio desenvolvimento infantil estiveram presentes em sua vivência.
Os prejuízos do julgamento
Quando se fala de sobrecarga materna, é preciso destacar que a mesma é fruto de uma construção cultural. Dados do Portal da Transparência do Registro Civil apontam que 172.156 crianças não tiveram registro do pai na certidão de nascimento no período de dezembro de 2024 a dezembro de 2025.
Esse cenário é um reflexo da ideia de que a responsabilidade do filho é apenas da mãe. “Isso pode gerar uma pressão social na mulher para que ela se responsabilize por tudo que cabe a ela e até pelo que não cabe, reforçando a sensação de que precisa dar conta”, afirma a psicóloga Mayara Carneiro.

Número de pais ausentes no Brasil ao longo dos anos (em milhares).
A profissional explica que os julgamentos sociais decorrentes dessa cultura influenciam nas escolhas feitas por quem é mãe. Quando é julgada ou pressionada, a mulher tende a se sentir insegura e isso a leva a duvidar de si mesma, se comparar com outras mães e agir por medo de não ser suficientemente boa para o filho e para a família.
Além disso, é comum que ela tema o que os outros vão pensar e sinta que precisa justificar todos os seus comportamentos. Dessa forma, o julgamento pode causar:
- Aumento de culpa;
- Autocrítica;
- Insegurança;
- Redução de autoestima;
- Sensação de inadequação;
- Ansiedade;
- Medo;
- Sobrecarga.
A culpa materna
Uma das consequências do julgamento social é a culpa materna. Mayara explica que muitas mães têm esse sentimento de que não estão fazendo o suficiente ou que não são boas o bastante.
Esses pensamentos são comuns devido a fatores emocionais e sociais, como o “senso de responsabilidade, a autocobrança, as expectativas acerca da criança e de si mesma, a comparação, a falta de rede de apoio, o medo de errar e a romantização da maternidade”.
Segundo a psicóloga, a culpa sempre é ruim, mas os questionamentos que ela traz podem ser benéficos quando são pontuais, decorrentes de situações específicas e quando produzem reflexões sem autocrítica, apenas como objetivo de produzir mudança e evolução.
Já a culpa maléfica é a que vem do julgamento interno e externo e coloca em xeque todas as ações da mãe. Nesse caso, há muita autocrítica e apenas os erros são levados em conta, sem que os acertos sejam reconhecidos.
Outra questão que piora a culpa materna é a comparação gerada pelas redes sociais.
“Cada gestação, puerpério e maternagem são únicos e individuais e devem ser pensados, elaborados e vividos de acordo com a sua realidade. Enquanto na rede social temos uma parcela muito pequena e normalmente boa da vida do outro, que comparamos com a nossa, gerando uma expectativa de que poderia ou deveria ser diferente, mais fácil e melhor. Isso pode gerar um sentimento de inadequação e aumentar a culpa e a cobrança materna”, afirma a psicóloga Mayara Carneiro.
A motivação é o ponto chave para entender se as decisões que estão sendo tomadas são realmente importantes ou apenas fruto de uma pressão externa, como quando a escolha não é única e exclusivamente porque faz sentido para mãe, mas baseada em medo ou com o objetivo de não desagradar, evitar críticas e ser aceita, por exemplo.
Reconhecer isso já é uma boa parte do caminho, mas é importante que a mulher consiga se conectar com ela mesma, ter um momento de introspecção, validar seus sentimentos, buscar apoio e coragem para decidir com base no que é realmente importante para ela e para o filho.
A rede de apoio é fundamental para não alimentar expectativas inadequadas e evitar e poupar as mães dos julgamentos e opiniões. É importante que os familiares e amigos dividam funções, validem a mãe e suas escolhas, evitem comparações e estejam abertos a dialogar sobre assuntos que, muitas vezes, são considerados tabus.
Bianca conta que ter uma rede de apoio foi essencial para que os seus estudos não fossem interrompidos. “Quando eu descobri que estava grávida, até pensei: ‘meu Deus, agora eu vou ter que parar’. Eu não tinha entrado na universidade ainda, era o meu plano. Mas minha mãe falou, agora é o teu momento de estudar, que ela (Bibiana) não seja um empecilho, que ela seja um incentivo para você continuar estudando”.
A importância das redes de apoio
A rede de apoio é essencial para que a mulher tenha um amparo na nova fase com o bebê. A enfermeira Cristiane Kuster conta que o puerpério é uma fase em que a baixa hormonal ocasiona o blues pós-parto, que é uma tristeza ou uma sensação de não ser suficiente.
Nesse momento, a mãe precisa de alguém que lhe dê suporte, pois o pós-parto é um momento de redescoberta consigo mesma e com o mundo. “Ter a presença de um acompanhante, de um parceiro, de um familiar que esteja ali para ser essa base forte e sólida faz toda a diferença para que ela também consiga estar em paz e estar tranquila para viver aquele momento da melhor forma”, afirma.
O companheiro ou companheira tem um papel ainda mais crucial, sendo a base para que tudo fique bem. Se é ativo e entende sua responsabilidade com a mãe e com a criança, a própria amamentação, por exemplo, torna-se mais bem sucedida e a mulher se recupera melhor.
A animação de parentes e amigos em torno de uma nova vida é um comportamento comum mas que, geralmente, vai embora logo após o nascimento “Passa um certo tempo, esquecem. A mãe que se vire. E o quanto é importante que se dê essa atenção não só quando ela está grávida, logo após o nascimento, mas também em outras fases”, afirma Cristiane.
Existe um grande tabu também em relação a como a mulher se sente no puerpério. Geralmente as pessoas pensam que o momento do nascimento de um filho será mágico. Para algumas de fato é, mas essa não é a regra.
Aquelas que não passam por essa experiência tem medo de falar sobre isso, por medo de julgamento. “As pessoas tratam como se obrigatoriamente tivesse que ser azul ou rosa, obrigatoriamente tivesse que ser o momento mais feliz da vida, que a mulher tivesse que se sentir linda, plena e completa por conta daquele momento”, comenta a enfermeira Cristiane Kuster.
Os primeiros anos de vida de uma criança
Outro dos dilemas que rondam a vida de muitas mães é em relação aos primeiros anos do filho. Deixar o trabalho de lado para se dedicar à maternidade ou voltar a trabalhar e deixar o filho aos cuidados de outra pessoa? Apesar de o assunto ser alvo de julgamentos, cada decisão possui prós e contras, além de não serem necessariamente prejudiciais ao desenvolvimento da criança.
Durante um ano e dois meses Bibiana era cuidada pela avó. Após esse período, Bianca a colocou numa creche e, posteriormente, num CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil). A decisão, segundo a estudante, foi importante para o desenvolvimento da socialização. “Mas, é diferente quando ele está com a mãe, a questão do afeto. Então, até mesmo essa questão da licença-maternidade, é muito pouco tempo até para você criar uma afetividade com a criança”, afirma.
Os conhecimentos adquiridos no curso de pedagogia foram enriquecedores para a relação que Bianca desenvolveu com a filha, bem como para o seu entendimento sobre as necessidades dela. Mesmo com as exigências da graduação, a estudante investe num tempo de qualidade com Bibiana.
“A gente consegue criar afetividade em muitas brincadeiras, conversar, passear, que é uma coisa que ela gosta muito. Temos um vínculo bem afetivo”.
Segundo a psicopedagoga Poliana Souza, a mãe é a pessoa que tem o maior vínculo com a criança e esse contato, quando de qualidade, traz uma segurança emocional que vai repercutir para o resto da vida. No retorno ao trabalho, a separação pode gerar ansiedade em diferentes graus. No entanto, se bem trabalhada, o impacto é mínimo e sem traumas.
Escola, babá, avó, independente de quem for cuidar da criança, se houver afeto, carinho e atenção, o impacto é menor. Nesse momento de separação, um comportamento bastante comum é o choro da criança quando a mãe chega do trabalho.
“A criança passou o dia todo bem, a mãe chega, desaba o choro. Por quê? Porque com a mãe, ela se sente à vontade para poder mostrar o que ela segurou, colocar o sentimento para fora. Aquilo que ficou guardado teve aquele momento de vazão com a pessoa de segurança”, explica a psicopedagoga Poliana Souza.
Em relação a escolha entre deixar a criança na escola ou com a babá, Poliana destaca que o importante está na qualidade do tratamento. É necessário que a criança tenha estímulos, conversas, entenda sobre regras e tenha oportunidade de socialização e de articulação de situações de conflito, independente do ambiente em que está.
O retorno ao trabalho não precisa ser traumático
O momento da separação decorrente do retorno ao trabalho depende, em grande parte, da forma como a própria mãe lida com a situação e se vê diante dela. O sentimento de culpa, por exemplo, pode afetar a relação com o filho.
Se, por um lado, há quem sinta que nasceu para ser mãe, há mulheres que sentem que possuem uma missão além disso e, nesse caso, deixar o trabalho para se dedicar inteiramente ao filho é encarado como um desafio.
A psicopedagoga Poliana conta que ela mesma já enfrentou esse dilema. “Com o meu primeiro filho, que tem 13 anos, eu fiquei sete meses com ele, voltei a trabalhar e fiquei me sentindo culpada. Quando tive o segundo filho, bastante tempo depois, eu optei por trabalhar menos. Depois peguei licença e fiquei só em casa, e isso acabou comigo, porque eu senti que eu tinha uma missão maior, além da maternidade. Então, cada mãe precisa entender a sua realidade”.
Para que a criança não sofra com a separação, é importante se atentar a alguns cuidados. De acordo com Poliana, quando estiver junto com a criança é preciso que os pais entreguem afeto por meio de situações e brincadeiras que eram feitas antes do retorno ao mercado de trabalho, e essas interações devem evoluir conforme a idade da criança.
Poliana completa que na primeira infância, que é dos zero aos seis anos, é importante estímulos com toque, já que essa é a forma da criança se comunicar e interagir com o mundo nessa idade, para elas, o vínculo precisa ser sentido fisicamente. “Você precisa estar junto, encostar na criança, pegar no colo, abraçar”.
Dedicação exclusiva à maternidade
No caso de mães que não estão no mercado de trabalho, o lado positivo para o desenvolvimento da criança é a segurança emocional e o vínculo forte. No entanto, é necessário olhar para a forma de interação entre ambas. A criança precisa brincar, e o brincar proporciona uma bagunça que é necessária para o desenvolvimento. Pintar, pisar na grama, explorar alimentos são comportamentos essenciais nessa fase.Se a mãe não proporciona isso, não é saudável.
“Quando a mãe consegue se libertar dessas amarras culturais, de uma casa muito limpa, muito arrumada, e permite que a criança possa brincar, a criança só tem a ganhar”, afirma Poliana.
Além disso, a socialização do filho deve ser trabalhada. Deixar que ele interaja com outras crianças, não interferir nas relações entre eles, a não ser que estejam em perigo, pois mesmo quando entram em conflito, geralmente conseguem se resolver. Portanto, deixar que elas socializem, que queiram brincar umas com as outras é extremamente importante, porque a criança sozinha acaba não tendo esse traquejo social. Já a superproteção e a dependência emocional não são exclusivas dessa dinâmica. Ao contrário disso, é comum que mães que trabalham fora tentem compensar a ausência superprotegendo a criança. “O que temos que entender enquanto mãe é que não temos que agradar a criança, nós temos que educá-la”.
Amamentação como um dilema na vida das mães
A amamentação reduz a mortalidade infantil por mortes evitáveis em até 13%, de acordo com o Ministério da Saúde. A recomendação é que bebe seja alimentado exclusivamente com leite materno até os seis meses. Segundo a nutricionista Ana Flávia Kutz, até a idade recomendada, o intestino da criança ainda é imaturo e o leite é de fácil digestão. Além disso, o aleitamento protege o bebê contra infecções. Após os seis meses, já é possível o consumo de outros alimentos, mas os benefícios da amamentação se mantêm mesmo assim.

A amamentação é um momento importante para o desenvolvimento da criança, assim como para a criação de vínculo com a mãe. Fonte: Freepik.
Segundo a profissional, o desmame precoce pode ocasionar o desenvolvimento de doenças respiratórias. “Nos últimos meses a gente viu que está crescendo bastante os casos de bronquiolite. É uma doença que está bem comum, que é causada pelo vírus sincicial respiratório. O bebê que é amamentado tem os atores de proteção. E, se a mãe inicia, por exemplo, a introdução alimentar precoce tem o risco de mortalidade também, porque o bebê não está acostumado com esses alimentos para digerir”, explica.
Em diversas situações, mães recorrem às fórmulas. Embora não devam ser demonizadas, segundo a nutricionista, elas não se adaptam às necessidades da criança, como ocorre com o leite materno. “Quando o bebê está doentinho, a coloração do leite muda, a necessidade dele muda, a mãe produz um leite para aquele momento”.
De acordo com a enfermeira Cristiane Kuster, apenas completar os seis meses não é suficiente para o início da introdução alimentar. O bebê precisa apresentar os sinais de prontidão, como conseguir se manter sentado, caso contrário, há risco de engasgo. “Os sinais de prontidão são essenciais para que a criança consiga entrar na introdução alimentar de uma maneira satisfatória, mas que continue também mamando no peito porque o leite materno nunca deixa de ser proteção para a criança. Quanto mais ela mama, mais vai estar protegida”, diz.
Segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) de 2019, a prevalência de aleitamento materno exclusivo em crianças de até 4 meses foi de 59,7%, e até seis meses, 45,8%. Uma das explicações para o baixo número é o retorno ao trabalho.
Prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) bem como na Constituição Federal, a licença-maternidade tem duração de apenas 120 dias. Participantes do Programa Empresa Cidadã (Lei nº 11.770/2008) podem estender esse tempo para as funcionárias por mais 60 dias (totalizando 180 dias) e prorrogar a licença-paternidade por quinze dias, em troca de benefício fiscal. A realidade para a maioria das trabalhadoras, no entanto, são os 120 dias.
Para sanar a necessidade da alimentação exclusiva com leite materno,até que a criança complete os 6 meses, a trabalhadora tem direito a dois descansos de 30 minutos cada durante a jornada de trabalho para alimentar o filho ou fazer extração de leite.
Aqui algumas situações: os 30 minutos são suficientes para ir para casa e retornar ao trabalho? Essa mulher tem alguém que possa levar o bebê até ela? A empresa tem algum ambiente adequado para a amamentação ou extração de leite?
Na tentativa de sanar esses problemas, o Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) executa a estratégia de Apoio à Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA). A ação busca criar nas empresas públicas e privadas uma cultura de respeito e valorização da amamentação. A iniciativa incentiva o prolongamento da licença-maternidade, a criação de salas de lactação e a implantação de creches no local de trabalho. A melhora desse cenário para as mães, no entanto, anda a passos lentos.
Após o fim da licença-maternidade, Bianca voltou a estudar. Na época, Bibiana tinha três meses de vida. Por conta da distância de cerca de oito quilômetros entre a casa e a universidade, só era possível que a estudante se deslocasse para amamentar no período da tarde e da noite. Para o horário da manhã, teve que recorrer à fórmula infantil.
“O Ministério pede para que a gente amamente até os seis meses, mas ele não dá essa acessibilidade para a gente amamentar até essa idade. A licença-maternidade é de apenas quatro meses, e tem mulheres, como eu, que pegam a licença mais cedo porque tem medo que o neném nasça antes”.
Uma das possibilidades para mães que retornam ao trabalho ou que não podem amamentar por qualquer outro motivo é fazer estoque de leite. Ana Flávia recomenda que ele seja extraído, congelado e oferecido na mamadeira. Mas é preciso se atentar aos cuidados com a coleta, pois mesmo congelado ele pode se tornar ácido por conta desse fator.
Cristiane também recomenda deixar copinhos de leite extraídos fechados com plástico filme na porta da geladeira. O líquido pode ser aquecido em banho maria e oferecido para o bebê na ausência da mãe. Mas, atenção! O que sobrar do copinho deve ser descartado.
O Banco de Leite Humano é outra saída para problemas relacionados ao aleitamento. O centro oferece a substância para bebês, bem como apoio e auxílio para mães que não conseguem amamentar.
Além disso, na Clínica da Mulher, em Guarapuava, as mães que possuem qualquer dificuldade também podem receber direcionamento. “Nós temos um ambulatório de amamentação. Hoje, todas as mulheres que têm qualquer tipo de dificuldade para amamentar são encaminhadas para cá. Elas agendam comigo e eu faço esse primeiro manejo”, conta Cristiane.
A enfermeira também explica que o processo incluiu uma avaliação sobre a real necessidade do uso de fórmula. “Aqui nós temos nutricionista e fazemos uma avaliação em conjunto. Se vemos que a mulher tem leite, que ela tem condições de amamentar, nós não prescrevemos a fórmula”, conta.
Os benefícios da amamentação vão além da saúde física
Segundo a enfermeira, a amamentação pode ser um passo importante para mulheres que enfrentam a depressão pós-parto. A interação e o contato visual com o bebê é o primeiro sinal que o cérebro capta de que um bom trabalho está sendo feito. Esse pensamento é um auxílio nesse momento.
Além disso, o aleitamento é mais do que apenas saciar a fome da criança. “O bebê mama porque está com sono, porque quer fazer xixi. O aleitamento materno é a forma de suprir a demanda dele, onde ele se acalma”.
A lei 18.536/2015 estabelece o direito ao aleitamento em estabelecimentos no Estado do Paraná. Embora se trate puramente da alimentação de uma criança, a amamentação em público ainda é vista como um tabu.
Os dois principais fatores para isso são a desinformação, bem como a sexualização das mamas. “As pessoas não conseguem entender que a alimentação é a nutrição daquela criança. Então, a mãe tem que se cobrir inteira para dar mama para a criança, imagina no calor?” Para Cristiane, a informação é a chave para mudar esse pensamento e, consequentemente, para que o aleitamento seja tratado de forma mais natural e fisiológica.
A psicopedagoga Poliana Souza explica que a amamentação é um momento em que há uma área muito grande de toque pele a pele, que é benéfica tanto para a mãe quanto para o bebê. “Ali você tem o fato da criança estar em contato, fazendo a sucção, tem um trabalho motor, tem o contato visual e o contato de pele. Só o fato de sentir o calor um do outro é muito importante. Então, ali você cria esse vínculo”.
Há casos em que, por algum motivo, a mãe não consegue amamentar. Poliana explica que esse vínculo pode ser construído de formas alternativas.
”Em casos em que a mãe precisa desmamar o filho um pouco mais cedo, não necessariamente isso vai afetar de uma forma negativa se ela tiver também esses momentos de toque, mesmo que não seja com a amamentação direto dela. Fazer esse contato também de colo, de olho no olho, ali você estabelece o vínculo que vai permanecer pra vida inteira”






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