Cerca de 47% dos brasileiros são considerados sedentários, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os jovens, o cenário é ainda mais preocupante, já que a pesquisa aponta que 84% deles não atingem o mínimo de 150 minutos semanais de atividade física recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O professor de educação física Adriel Alves de Oliveira Filho explica que o sedentarismo é caracterizado pela ausência de atividade física regular e pelo baixo gasto energético diário. A falta de movimento é tratada como um problema de saúde pública e está associada ao aumento de doenças crônicas e a mais de 300 mil mortes por ano no país, segundo o Ministério da Saúde.
“Essa falta de movimento traz diversos riscos: aumento da gordura corporal e perda de massa muscular; redução da capacidade cardiovascular e pulmonar, maior risco de doenças crônicas, como diabete tipo dois, hipertensão e problemas cardíacos; dores articulares, má postura e menor flexibilidade; E até prejuízos emocionais, como ansiedade, desânimo e baixa autoestima”, pontua Adriel.
Menos exercícios, mais ansiedade

A psicóloga Sabrina Magiolo explica que a dificuldade em manter hábitos saudáveis vai além da falta de tempo ou disposição. “Por mais que, conscientemente, nós saibamos da importância que os exercícios físicos trazem, que uma rotina mais saudável traga, inconscientemente o nosso psiquismo tende a ir para um caminho que é mais familiar, ou seja, a nossa mente prega peças e faz com que nós não aceitemos muito bem as mudanças, mesmo que sejam positivas” afirma a psicóloga.
A profissional indica que estabelecer uma rotina de exercícios implica na necessidade de se olhar e lidar com a própria aparência mais diretamente. Isso porque, segundo ela, existe uma relação direta entre o autocuidado e a forma como as pessoas se percebem.
O ritmo acelerado da vida cotidiana e a busca por resultados imediatos também contribuem para o aumento da falta de atividade física. No entanto, é fundamental mudar essa situação. “Mexer o corpo estimula a produção de hormônios que contribuem para o sentimento de felicidade e, por consequência, combatem a ansiedade e outros transtornos”, recomenda a psicóloga.
A rotina sem exercícios era algo comum para o guarapuavano Joel da Silva Macedo, de 32 anos, que decidiu mudar de hábitos recentemente. “Minha rotina antes era trabalho, celular, filme e comida. Não fazia nada de exercício”, contou.
A decisão de mudar de estilo de vida veio após perceber que a saúde estava sendo afetada. “Vi que minha saúde estava ruim e decidi mudar. Hoje respiro melhor, tenho mais disposição no dia a dia”, comentou Joel.
Como sair da inércia
Para quem deseja iniciar uma rotina de exercícios, Adriel orienta que o processo deve ser gradual, começando devagar e com propósito.
“Fazer uma avaliação física antes para entender limitações, mobilidade e pontos a melhorar. Escolha exercícios simples, com movimentos básicos e controlados. Respeite o corpo, a dor excessiva e a exaustão não são sinal de progresso. E busque orientação profissional “, ressalta.
Ele afirma ainda que os benefícios podem ser sentidos rapidamente. “Já nas duas primeiras semanas, muita gente nota: mais energia e disposição no dia a dia; sono mais restaurador; redução do estresse e ansiedade, melhora no humor e autoconfiança e aumento da força”, comentou o professor.
O alerta é o mesmo entre os especialistas: o movimento é uma forma de autocuidado. Como ressalta a psicóloga, exercitar-se é um movimento de vida.
Pequenas mudanças diárias, como subir escadas, caminhar curtas distâncias ou trocar o carro por uma caminhada, já fazem diferença. O importante é dar o primeiro passo e continuar.






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