De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de eleitores entre 16 e 17 anos aumentou expressivamente nos últimos anos. Em 2024, o Brasil contabilizou mais de 1,8 milhão de jovens nessa faixa etária aptos a votar, um crescimento de cerca de 78% em relação às eleições municipais de 2020, quando pouco mais de 1 milhão de adolescentes haviam se registrado.
O voto para jovens de 16 e 17 anos, previsto na Constituição Federal, é uma escolha, não uma obrigação. Mesmo assim, a participação nas urnas tem sido significativa.
Para Nathalia Mattos, advogada eleitoral, o sistema eleitoral brasileiro é eficaz e tem atuado de forma ativa para incluir os jovens no processo político. “As campanhas de incentivo à participação dos jovens no processo eleitoral são muito eficazes, isso se comprovou com o aumento dos eleitores entre 16 e 18 anos nas últimas eleições”, afirma.
No entanto, ela ressalta que a cidadania não se resume ao ato do voto. “É preciso lembrar que a participação política não pode se limitar ao votar e ser votado. Em uma democracia, é necessário que essa parcela da população tenha realmente voz ativa, que suas pautas sejam ouvidas e que existam políticas para sua efetivação”, completa.
Mudanças nas regras eleitorais são confirmadas para 2026
Além do aumento no número de eleitores, há também mudanças na legislação que impactam diretamente o cenário eleitoral. A Lei nº 15.230, sancionada em outubro de 2025, redefine regras sobre a idade mínima para candidatura e atualiza critérios de elegibilidade. Nathalia avalia que a medida traz avanços.
“A Lei 15.230 traz impactos positivos, pois visa dar mais segurança jurídica aos candidatos, indicando de forma expressa em que data será aferida a idade mínima prevista para cada cargo”, explica a advogada.
As alterações devem influenciar diretamente o perfil dos futuros candidatos, podendo abrir mais espaço para novas lideranças jovens. A aplicação prática dessas mudanças ainda será detalhada pela Justiça Eleitoral, mas especialistas apontam que o ajuste pode favorecer uma maior renovação política.
Participação de jovens na política requer cada vez mais esforços
Para a advogada, mesmo com os esforços institucionais, a desinformação ainda é um problema persistente para o acesso de jovens à política. “As redes sociais são ferramentas importantes, porém já se demonstrou que a velocidade e dimensão da propagação de fake news superam em muito às das informações verdadeiras. Mas também há os problemas relativos à perda de prazo para emitir ou regularizar o título”, destaca.
Pérola Follador, de 17 anos, irá votar pela primeira vez no ano que vem e acredita que os jovens têm papel fundamental nesse processo. “Com certeza, os jovens são o futuro do Brasil, com pensamentos diferentes e mentes mais abertas”, afirma. Ela observa que ainda há um certo distanciamento entre as campanhas e o público jovem. “Sinto que as campanhas políticas ainda são, em grande parte, voltadas ao público mais velho”, completa.
Na hora de escolher em quem votar, Pérola destaca que leva em consideração “o partido político e as opiniões do candidato, assim como os projetos de melhoria”. Mesmo com a facilidade de acesso à informação, Pérola reconhece que o interesse individual é determinante. “A divulgação dos candidatos e de suas propostas é eficaz, porém, é necessário ter interesse em procurar”, complementa.
Prazos importantes para eleitores/eleitoras
Quem quer participar do processo eleitoral de 2026 precisa ficar atento/atenta aos prazos da Justiça Eleitoral. O primeiro deles é a regularização da situação eleitoral. Eleitores/eleitoras de todo o país têm até o dia 6 de maio de 2026 para solicitar a primeira via do título, realizar a transferência de domicílio ou realizar a biometria. Depois dessa data, o cadastro será fechado até o fim das eleições, ou seja, não é possível fazer as alterações ou solicitações.
O TSE também tem investido em campanhas digitais voltadas ao público jovem, com linguagem acessível e uso de plataformas como TikTok e Instagram, na tentativa de aproximar o processo eleitoral da realidade cotidiana dos jovens brasileiros.
As redes sociais, segundo Pérola, também influenciam na formação de opinião: “Sim, muitas vezes busco informações sobre alguma pauta nas redes sociais, em páginas confiáveis”, finaliza.






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