Nascido nas ruas do Bronx, Nova York, no final dos anos 1970, o breaking, popularmente conhecido como breakdance, emergiu como uma forma poderosa de expressão como um dos quatro elementos do hip-hop, que são rap (ritmo e poesia), grafites (assinaturas), Dj’s e Mc’s, e Street Dance.
O movimento artístico foi (e continua sendo) mais do que apenas uma dança, mas é uma resposta à opressão social, econômica e racial, que transforma as adversidades em criatividade e comunidade.
No epicentro da revolução cultural estavam os B-Boys e B-Girls, que utilizavam os espaços urbanos como palcos improvisados para suas performances. Com movimentos acrobáticos, giros vertiginosos e uma energia contagiante, o breaking rapidamente conquistou o respeito e a admiração de espectadores e praticantes.
As batalhas de dança típicas do breaking são um terreno fértil para a competitividade e o aperfeiçoamento contínuo, onde cada dançarino busca superar seus próprios limites e os de outros artistas.
Existe breaking em Guarapuava
Em Guarapuava, o breaking começou como uma pequena semente na metade da década de 2000, com o grupo de dança Magia das Ruas. Cada vez mais b-boys e b-girls decidiram arriscar os passos pelas praças da cidade. Em 2009, o professor de dança Rafael Merch encontrou neste estilo um propósito de vida.

Rafael ainda era muito jovem quando começou a dançar. O interesse nasceu assistindo o filme You Got Served (Entre Nessa Dança). Foi naquele momento que conheceu o estilo que o acompanha desde então. Ao relembrar o filme, ele conta com animação, como se tivesse assistido pela primeira vez no dia anterior.
“A cena do filme era um dos caras que estavam se envolvendo com uma coisa ruim e a dança salvou ele. Tirou ele da rua, para que voltasse a dançar, porque tinha um talento enorme na dança”, conta.
A partir do filme, a curiosidade despertou e, aos poucos, Rafael começou a ensaiar alguns passos. A Praça da Ucrânia foi seu principal palco, e junto com outros amigos, que também tinham vontade de aprender, o jovem foi construindo o que hoje se transformou na sua profissão.
Com o passar dos anos, criou um espaço com a ajuda dos colegas de dança, e o reconhecimento não demorou a chegar. Já competiu com o grupo Magia das Ruas em campeonatos estaduais, nacionais e internacionais e recebeu vários prêmios que o incentivaram cada vez mais.
Rafael contou que mescla a sua identidade com o ritmo. “Não consigo pensar na minha vida sem arte. Sofri uma lesão e fiquei dois meses sem conseguir dançar, agora to voltando e percebo o quanto não vivo sem isso, é a minha identidade, meu trabalho, minha história”.
Durante sua caminhada, o b-boy começou a dar aulas de breaking e se interessou por outros tipos de arte como o teatro, balé, dança de salão, etc. Atualmente, se sustenta com as aulas que ministra em suas 11 turmas, projetos nos bairros e fazendo coreografias particulares para eventos, como festas de 15 anos, de casamento e formaturas.
Preconceitos e enfrentamentos

Rafael conseguiu ocupar o espaço e o respeito na cidade, mas a vida no hip-hop não é simples. Apesar de sua popularidade global e impacto cultural significativo, os dançarinos de breaking, ou B-Boys e B-Girls, frequentemente enfrentam preconceito e estigmatização.
Desde o seu surgimento, o breaking é frequentemente associado a estereótipos negativos. As comunidades onde a dança floresceu eram frequentemente marginalizadas e enfrentavam pobreza, violência e discriminação racial.
Para muitos, o breaking é visto como uma atividade de gangues ou uma expressão de rebeldia. Este ritmo teve relevância como uma forma de arte e uma válvula de escape criativa para jovens em situações adversas.
Eles são chamados de “marginais”, “carçudos”, “maloqueiros”, “delinquentes”. Rafael conta que quando mais jovem, era frequentemente abordado pela polícia, que revistava sua mochila e de seus colegas, e eram tratados como criminosos.
“Tinha essa coisa assim, ah, o cara que é do rap, que é do skate, ele é um carçurdo marginal, foi algum tempo ali pra gente quebrar isso”, relembrou o professor.
Com a intenção de diminuir esse preconceito, o grupo de Rafael começou o projeto Mova-se, em Guarapuava, que leva para as escolas uma visão livre de preconceitos sobre o Hip-hop.
“Com esse projeto que vem de Curitiba, falamos bastante da nossa história, do hip hop, foi uma coisa que, vamos dizer assim, que mudou essa mentalidade. Queremos mudar cada vez mais. Só porque o cara é do rap ele era marginal, ele é bandido. Se o cara usava calça larga, skate embaixo do braço, é marginal. A ideia é mudar esse preconceito e tem dado certo”, comemorou o b-boy.






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