Por Luiz Henrique Correa

O câncer de mama é o tipo de câncer com maior incidência no Brasil e o segundo maior no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde e Inca, só em 2025 o Brasil deve registrar mais de 73 mil novos casos. Os índices de detecção sobem a cada ano, mas há uma tendência de redução da mortalidade a partir do diagnóstico precoce. 

Essa antecipação e descoberta precoce do câncer de mama se deve ao aumento das campanhas de conscientização, que iniciaram em 2008. Hoje, o Outubro Rosa é celebrado em todo o mundo com ações voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce.

O movimento é chamado Outubro Rosa porque foi nesse mês, em 1990, que aconteceu a primeira grande ação de conscientização sobre o câncer de mama nos Estados Unidos. O evento foi promovido pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, durante a “Corrida pela Cura” em Nova York, quando os participantes receberam laços cor-de-rosa, que depois se tornaram o símbolo mundial da campanha. 

Guarapuava: projetos incentivam o cuidado e a prevenção

O projeto Conexão Rosa Guarapuava, fundado em 2019, reúne mulheres e empresas da cidade com o objetivo de apoiar e incentivar a luta contra o câncer de mama durante o ano todo. A criadora e idealizadora do projeto, Pollyana Araújo, conta que o Conexão Rosa nasceu de uma vontade pessoal de apoiar mulheres que enfrentam o câncer de mama no município.

No primeiro ano o contato era diretamente com pacientes que utilizavam os serviços oferecidos pela Associação Casa de Passagem e Apoio à Pessoa com Câncer (ACPAC). 

A entidade sem fins lucrativos, atende pessoas acometidas pelo câncer no município, prestando serviço socioassistencial, fisioterapia, psicologia e educação em saúde oncológica para os usuários e seus familiares. Além disso, a associação também atende usuários de outros 20 municípios que compõem a 5ª Regional de Saúde, oferecendo serviços de acolhimento, hospedagem e alimentação. 

“Lá fizemos muitas oficinas presenciais voltadas aos cuidados pessoais e à autoestima. Cada oficina era uma realização, pois sentíamos de perto a necessidade e a falta de apoio em cada fase de tratamento. A reciprocidade era grande, compartilhamos muitas histórias de vidas e troca de experiências”, contou Pollyana.

Conscientização Rosa procura fazer contato direto com pacientes. (Foto: Caio Mayer)

O projeto recebe, desde o início, o apoio de empresas e voluntários. Esse suporte acontece por meio de patrocínios e doações de itens como produtos de higiene, alimentos e lenços — estes últimos destinados às mulheres que optam por usá-los após a queda de cabelo, comum durante o tratamento de quimioterapia. 

As voluntárias ajudam com informações técnicas sobre os cuidados com a saúde de pessoas com câncer, e também dando apoio através da divulgação de conteúdos nas redes sociais do projeto. Durante a pandemia, as ações e doações continuaram através de lives feitas pelo Projeto nas plataformas digitais.

Falar sobre o câncer e todos os malefícios que ele traz consigo é um assunto ainda delicado para algumas mulheres, como explica Pollyana. Além disso, é necessário um ambiente de acolhimento para que elas se sintam bem em falar sobre o problema e serem ouvidas. Somada a saúde física, a saúde mental também é muito afetada, principalmente entre aquelas que ainda estão em tratamento. Uma das maiores dificuldades enfrentadas é não receber o apoio dos próprios familiares, porque muitos não entendem, ou entendem pouco da doença, e o medo do desconhecido acaba, muitas vezes, afetando a convivência entre eles. 

“Elas querem falar de vida, do que podem fazer, do que elas têm vontade e muitas são vistas pelos familiares apenas como um doente’’, expressou a criadora do projeto.  

Inspiração na troca de afetos

A fotógrafa Daniele Moreira (39), esteve presente no projeto Conexão Rosa Guarapuava após receber o diagnóstico de câncer de mama em 2021. A história de superação de Dani começa com uma consulta de rotina com sua ginecologista. Ela percebeu algumas estrias em seus seios e logo foi encaminhada para um oncologista que a diagnosticou com câncer já em um estado avançado, pois se alastrou rápido até as axilas. Tomada por um sentimento de desespero, morando sozinha e estando longe de sua família, o primeiro pensamento foi de que morreria, mas logo este isso foi apaziguado, quando entendeu seu diagnóstico.

Precisando de ajuda durante o tratamento, Dani teve a ideia de criar um grupo no WhatsApp com seus amigos mais próximos. Essa rede de apoio esteve com ela durante as 16 quimioterapias e 21 radioterapias. Embora muito difícil e desgastante, Dani encarou com otimismo o tratamento. 

“Eu pude ver a força e os amigos que eu tenho, toda a minha preocupação — como eu sobreviveria, né, por ser autônoma —, toda essa questão. Então, teve toda uma rede de apoio que me ajudou muito e tornou o processo mais leve”, relatou a fotógrafa.

Ainda segundo ela, buscou essa força através das pequenas coisas da vida, como: o canto dos pássaros, a beleza das flores e cada ato de carinho que recebia. Mesmo com a fadiga gerada pelo tratamento, ela não parou de praticar exercícios físicos, caminhando todas as manhãs. Fazia questão de se maquiar e escolher sempre uma roupa que a fizesse sentir bem ao ir para as sessões de tratamento, fator que a ajudava muito a fortalecer ainda mais seu psicológico. 

Hoje, Dani Leela está curada e afirma que toda mulher precisa encontrar sua própria força para vencer o câncer de mama, seja sozinha ou com o apoio de amigos e familiares.

Dani Leela buscou amparo nos mais próximos para ganhar forças durante tratamento. (Foto: Heloisa Zolinger)

Como é feito o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama?

Um dos primeiros métodos para identificar sintomas do câncer de mama, é o autoexame com o toque nos seios. A ação tem como objetivo fazer com que a mulher conheça detalhadamente as suas mamas, o que facilita a percepção de quaisquer alterações. Apesar disso, esse não é o único modo de identificar os primeiros sinais da doença, como explica a médica mastologista Juliana Ribeiro Oyama Virmond. 

“O câncer de mama inicial não apresenta sintomas, costuma ser indolor. Quando o tumor está maior a mulher nota uma área palpável endurecida na mama, mas saída de líquido pelo bico do seio, pele ou mamilo repuxado, vermelhidão e calor nas mamas também devem ser investigados por um médico”.

Após a identificação de qualquer um dos sintomas mencionados, é recomendado ir a um oncologista ou mastologista o mais rápido possível, pois quanto antes iniciado o tratamento maior a chance de sucesso. 

“Como o câncer de mama é muito frequente na população feminina, é de máxima importância o diagnóstico precoce onde o tratamento e a cura do câncer são mais acessíveis. Esse diagnóstico precoce se faz com exames anuais de rotina como a mamografia e a ecografia mamária. São exames recomendados pela Sociedade Brasileira de Mastologia”, reforça a médica.

Após o diagnóstico obtido através do exame, o médico indicará o tratamento mais adequado, sendo eles: a quimioterapia, radioterapia ou a cirurgia, que pode incluir a remoção do tumor ou em alguns casos a mastectomia que é a retirada completa da mama. No Brasil, o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

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