A pandemia de Covid-19 deixou marcas profundas na educação brasileira e, no caso do Ensino Médio, os impactos ainda estão longe de serem superados. É o que revela o estudo Aprendizagem na Educação Básica: situação brasileira no pós-pandemia, divulgado pelo Todos Pela Educação.
Segundo a pesquisa, em 2023, apenas 5,2% dos alunos da 3ª série do Ensino Médio da rede pública atingiram a aprendizagem considerada adequada em matemática. Em Língua Portuguesa, o índice foi de 32,4%. Ambos os resultados estão abaixo dos níveis registrados antes da pandemia, em 2019.
O estudo usa como base os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e mostra que o Ensino Médio é a etapa mais desafiadora da educação básica. A estagnação em matemática é especialmente alarmante: em 2003, 5,8% dos estudantes da rede pública tinham desempenho adequado; em 2023, o número é praticamente o mesmo: 5,2%. Isso significa que, em duas décadas, não houve avanço significativo, e a pandemia apenas agravou o cenário.Em Língua Portuguesa, apesar de oscilações ao longo dos anos, o percentual de alunos com aprendizagem adequada caiu de 33,5%, em 2019, para 32,4% em 2023. A queda pode parecer pequena, mas indica que, mesmo com a retomada das aulas presenciais e os esforços de recuperação, o país ainda não conseguiu voltar ao patamar anterior à pandemia.

Desigualdades que persistem ano após ano
O estudo chama atenção ainda para o aprofundamento das desigualdades educacionais, especialmente entre grupos raciais e socioeconômicos. Os dados de 2023 mostram que, mesmo com avanços na média geral de aprendizagem, estudantes pretos, pardos, indígenas e os mais pobres seguem em desvantagem em relação aos demais.

A desigualdade também é observada de acordo com o nível socioeconômico. Em 2023, entre os 20% mais ricos da rede pública, 50,6% dos estudantes atingiram aprendizagem adequada em língua portuguesa e 11,4% em matemática. Já entre os 20% mais pobres, esses percentuais foram de 32,9% e 5%, respectivamente.
Mesmo entre estudantes de mesma classe social, a desigualdade racial persiste. Por exemplo, entre os alunos mais ricos, 11,4% dos brancos atingiram aprendizagem adequada em matemática, enquanto entre os pretos, esse percentual foi de apenas 6,7%.
Cenário abaixo do básico
O estudo faz outro alerta: o número expressivo de jovens que concluem o Ensino Médio com desempenho considerado “abaixo do básico”, ou seja, que não dominam nem os conhecimentos fundamentais.
Em 2023, 33,2% dos estudantes da rede pública se encaixavam nessa categoria em Língua Portuguesa, e 59% em Matemática. Isso significa que 6 em cada 10 alunos que estão prestes a terminar a educação básica no Brasil não compreendem conteúdos mínimos de matemática.
Embora o cenário pareça desesperador, ainda existe luz no fim do túnel. Especialistas e professores reforçam que, embora seja uma tarefa difícil de ser cumprida, ainda existe solução. Evelyn Forquin, professora em Guarapuava, destaca:
“Os alunos chegam no terceirão, muitas vezes, sem dominar conteúdos essenciais, mas ainda tem como arrumar isso, ainda que não seja imediatamente. Muitos continuam pesquisando sem ter o aprendizado de fato, e o nosso desafio atual tem sido ajudar eles a retomar os trilhos com acompanhamento e estratégias que funcionem. Essa recuperação escolar exige tempo e paciência, mas é possível”.






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