A medicina de precisão, também chamada de medicina personalizada, é uma forma de adaptar os tratamentos médicos de acordo com as características de cada pessoa. Em vez de aplicar a mesma terapia para todos, ela identifica grupos de indivíduos que podem ter riscos diferentes de desenvolver certas doenças ou que respondem de maneira distinta a um medicamento.
Segundo o médico Rodrigo Crema, essa abordagem traz avanços significativos. “A medicina de precisão permite tratamentos mais personalizados e eficazes, com base nas características genéticas individuais de cada paciente. Isso pode levar a diagnósticos mais precisos e terapias mais direcionadas, melhorando os resultados de saúde”, relata Rodrigo.
Esse tratamento está redefinindo o cuidado médico ao levar em conta as características genéticas, ambientais e de estilo de vida de cada pessoa. Em vez de um modelo uniforme para todos, a medicina de precisão elabora intervenções personalizadas — do diagnóstico ao tratamento —, aumentando significativamente a eficácia terapêutica e reduzindo efeitos colaterais e custos evitáveis.
Crema destaca que as principais vantagens estão na eficiência e na prevenção. “Além de tornar os tratamentos mais eficazes, conseguimos reduzir efeitos colaterais, já que evitamos a exposição a medicamentos desnecessários, e também prever doenças por meio da identificação de predisposições genéticas, o que permite intervenções preventivas.”
Outro ponto relevante é o impacto econômico. Na avaliação do especialista, a medicina de precisão pode reduzir custos ao evitar terapias ineficazes e ao antecipar medidas de prevenção, “com diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados, conseguimos evitar gastos desnecessários com medicamentos e procedimentos. E, ao identificar predisposições, podemos atuar antes que a doença apareça, reduzindo a necessidade de tratamentos mais caros no futuro”.
Necessidade de aperfeiçoamento na medicina impulsiona uso de novas tecnologias
O campo da medicina tem avançado rapidamente, especialmente com o uso de sequenciamento genético, inteligência artificial aplicada à análise de dados clínicos e ferramentas de diagnóstico molecular. Tais recursos permitem prever predisposições a doenças, adaptar tratamentos oncológicos ao perfil genômico do paciente e identificar biomarcadores que indicam eficácia ou resistência a terapias específicas.
Para Crema, o sequenciamento genético é central nesse processo, pois “ele permite identificar mutações associadas a doenças e personalizar os tratamentos com base nas características genéticas do paciente e da própria doença”.
Já a inteligência artificial complementa essa análise. “A IA consegue processar grandes volumes de dados genômicos rapidamente e identificar padrões e correlações que não seriam facilmente percebidos por humanos.”
Na prática, a maioria dos tratamentos de saúde sempre foi pensado para o “paciente padrão”, sem considerar que um mesmo remédio ou terapia pode funcionar bem para algumas pessoas, mas ter pouco efeito — ou até trazer riscos — para outras. A proposta da medicina de precisão é justamente mudar esse cenário, criando cuidados mais adequados e personalizados, levando em conta fatores como a genética de cada indivíduo, o ambiente em que ele está inserido e seu estilo de vida, é o objetivo da medicina de precisão.

Fonte: Freepik
O médico explica que não se trata apenas de genética, “a medicina de precisão considera também fatores ambientais e de estilo de vida. Entender como os genes interagem com o ambiente é essencial para desenvolver planos de prevenção personalizados.”
Guarapuava e a medicina de precisão
Guarapuava, no interior do Paraná, vem se consolidando como um pólo nacional em genômica aplicada. Desde 2023, o Instituto para Pesquisa do Câncer (IPEC) é um dos oito laboratórios credenciados na Rede Genomas SUS, sendo o único fora das capitais ou grandes centros.
A iniciativa faz parte do Projeto Genomas Paraná, que reúne a Unicentro, UEPG e UFPR e busca mapear perfis genéticos da população local, desenvolvendo um banco de dados para identificar marcadores de risco genético relacionados a doenças crônicas como obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Além disso, o IPEC oferece testes genéticos gratuitos a pacientes com câncer atendidos pelo SUS, permitindo tratamentos mais precisos e menos tóxicos — um diferencial significativo, especialmente no setor público. A presença do IPEC catalisou o Vale do Genoma, um ecossistema de pesquisa que integra universidades, governo, iniciativa privada e centros de inovação — um modelo contemporâneo para fomentar a ciência aplicada à saúde.
Em agosto deste ano, o Governo do Estado anunciou a criação do Impar — Instituto de Medicina de Precisão do Paraná, fruto de uma parceria entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e a Unicentro.
Será o primeiro instituto com essa abrangência no país, reunindo pesquisa genética, inteligência artificial e atendimento clínico com infraestrutura de alta complexidade.
Com investimento de R$10,1 milhões, as obras devem começar até dezembro deste ano e acontecerão no campus do Cedeteg, em Guarapuava. O Impar terá 1680 metros quadrados distribuídos em três pavimentos e reunirá laboratórios de sequenciamento genético, cultivo celular, análises clínicas, tecnologia robótica para automação de amostras, consultórios, salas de coleta, auditório, brinquedoteca e áreas administrativas, integrando pesquisa, ensino e atendimento humanizado.






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