A Unicentro está com inscrições abertas para o programa Mitacs Globalink até o dia 17 de setembro. Para participar, estudantes de graduação da instituição precisam se inscrever diretamente no site.
Além disso, é preciso cumprir com os pré-requisitos do programa, sendo:
- Não ter nenhuma dependência;
- Ter participado de algum projeto de pesquisa ou extensão;
- Não estar no primeiro ano de graduação;
- Ter pelo menos 18 anos;
- Ter bom desempenho acadêmico.
Mas não é apenas o Mitacs que oferece oportunidades de mobilidade acadêmica. O Escritório de Relações Internacionais (ERI) da Unicentro também possibilita que estudantes de graduação e pós-graduação vivenciem experiências nacionalmente ou em países como: Portugal, Áustria, Itália, França, Israel, Canadá, Estados Unidos da América, Espanha, Austrália e Argentina.
Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta) comprova a relevância dessa experiência que é o desejo de muitos brasileiros. Cerca de 85,7% dos estudantes no país manifestaram vontade de participar de um programa internacional, e aproximadamente 400 mil brasileiros vivem essa experiência todos os anos.
Apesar do entusiasmo, o alto custo ainda é um dos maiores obstáculos, tornando inviável para muitos jovens investir valores que podem ultrapassar facilmente os R$10 mil em apenas um mês de estadia no exterior.
Nesse cenário, universidades públicas têm ganhado destaque ao ampliar o acesso a programas de mobilidade acadêmica. Por meio de parcerias com instituições estrangeiras e programas de bolsas, essas instituições oferecem a chance de transformar o sonho do intercâmbio em realidade, sem que o fator financeiro seja uma barreira.
Unicentro como ponte para a internacionalização
Em 2025, a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) apoiou 21 estudantes de graduação na realização de intercâmbios acadêmicos – 13 só para o Canadá – graças às parcerias internacionais viabilizadas pelo seu Escritório de Relações Internacionais (ERI).
A iniciativa não apenas democratiza o acesso à experiência internacional, mas também fortalece a formação dos alunos ao aproximá-los de diferentes contextos culturais e acadêmicos, ajudando inclusive nas questões financeiras.
O Canadá é o destino mais procurado quando o assunto é mobilidade internacional. Além de ter o inglês como língua principal, o país é conhecido pela receptividade de seus habitantes, que carregam um jeito simpático e acolhedor que, em certa medida, se assemelha ao dos brasileiros.
“Eu lembro que, quando cheguei ao aeroporto de Toronto, virou uma chavinha. Eu pensei: ‘tô aqui, cheguei’. Mas, logo veio o desafio: ter que resolver tudo em inglês desde o primeiro momento. Ao mesmo tempo, acho que esse é o ponto positivo de vir para o Canadá, porque as pessoas aqui são muito gentis, muito queridas”, conta a mestranda em Farmácia na Universidade de University of Saskatchewan, Isabella Zittlau.
A graduação em farmácia na Unicentro foi o momento em que Isabella teve seu primeiro contato com o intercâmbio, ao ser selecionada para o programa canadense de pesquisa MITACS Globalink. Foi exatamente nessa oportunidade que ela teve um novo olhar para a vida acadêmica no exterior.
“Antes, eu pensava em fazer mestrado no Brasil; depois, percebi que poderia voltar para o Canadá e seguir minha trajetória aqui. O mais legal do Mitacs é justamente esse incentivo: eles nos convidam para viver o estágio, entender como é a experiência e, se houver interesse em retornar, oferecem suporte financeiro para tornar isso possível”, explica.

E o retorno, de fato, aconteceu. Hoje, Isabella integra um programa de mestrado na mesma universidade que a recebeu durante sua primeira experiência no Canadá, com apoio e incentivo de sua professora orientadora no intercâmbio.
Mas, além do crescimento acadêmico e profissional, ela destaca o impacto pessoal dessa vivência. Para ela, morar em um país multicultural, onde convivem canadenses, indianos, africanos, europeus e latino-americanos, ajudou a moldar seu caráter e ampliar sua visão de mundo.
“Estar em contato com tantas culturas diferentes me tirou da zona de conforto. Foi como ser jogada direto na vida real: aprender a resolver burocracias em outro idioma, entender como funcionam serviços básicos que parecem óbvios, mas que mudam de um país para o outro. Essa adaptação me fortaleceu como pessoa e me ensinou a me virar em qualquer situação”, afirma.
Fronteiras se expandem durante a graduação
Regiane Taborda, estudante de Engenharia Ambiental da Unicentro em Irati, vive seus últimos dias no intercâmbio de 12 semanas na University of Prince Edward Island, no Canadá. A possibilidade surgiu após a divulgação do programa no painel da universidade, e, desde então, ela não teve dúvidas de que queria participar.
“Sabia que seria uma oportunidade incrível, mesmo sem a certeza de que seria aprovada. Só o fato de estar envolvida já era uma experiência enriquecedora.”
A adaptação foi tranquila, em parte porque a cidade é pequena, algo familiar para quem sempre viveu no interior do Paraná. Mas os desafios também vieram logo no início.
“Fiquei muito nervosa nas entrevistas com os professores anfitriões, porque nunca tinha conversado com ninguém totalmente em inglês. E ainda teve o peso de encarar minha primeira viagem internacional, com aquele misto de emoção e entusiasmo.”

Assim como aconteceu com Isabella, Regiane não precisou esperar o fim da mobilidade para reconhecer seu próprio crescimento. Ela já enxerga o valor de cada desafio enfrentado e do aprendizado acumulado ao longo dessa vivência.
“Sinto que evoluí muito tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Consegui colocar em prática meu inglês, trabalhei com pessoas de diferentes culturas e aprendi a me adaptar. Atuei em um laboratório com equipamentos avançados, que agregaram muito à minha formação. E o mais especial: construí amizades que levarei para a vida toda.”
Um? Não, três intercâmbios!
Realizar um mestrado também faz parte do sonho da Wilma Vieira, aluna do último ano do curso de Publicidade e Propaganda da Unicentro. Depois de três intercâmbios durante a graduação, ela sente por não ter mais tempo para aplicar novamente. Ainda assim, garante que cada experiência foi determinante para sua trajetória.
“O que virou a chave foi que estou focando no mestrado. Eu não quero parar por aqui. Foi o intercâmbio que influenciou o meu TCC, vai influenciar a minha continuidade na pesquisa, justamente porque eu descobri algo que eu acredito tanto e que eu acho que realmente é só o começo”.

As três experiências vivenciadas por Wilma foram completamente diferentes. A primeira foi de um mês na Patagônia Argentina; a segunda, um estágio de pesquisa no Canadá, na Universidade de Guelph; e, mais recentemente, uma temporada em dois países da Europa: França e Sérvia.
“Essas experiências mudaram completamente minha forma de enxergar o mundo. Eu tinha uma visão que a publicidade ia ser, na minha vida, sempre aquilo, vender, convencimento, tudo mais. E era uma coisa que eu sempre trouxe no meu coração. Eu queria sempre vender e fazer publicidade com coisas que eu acreditasse”.
A visão da graduanda mudou porque durante o intercâmbio no Canadá, vivenciou em outro departamento, transformando sua visão profissional.
“Atuei no departamento de ciência da computação, e estar com pessoas tão técnicas, que estavam estudando e falando de problemas e de crimes, eram avassaladores, com consequências tão grandes que mudaram a minha forma de entender a comunicação. Entendi que a comunicação não é só um produto para ser vendido, mercantilizado. Ela realmente é uma chave para mudança”, conta.
Ampliação de horizontes
As histórias de Isabella, Wilma e Regiane mostram que o intercâmbio vai muito além da experiência acadêmica: ele transforma trajetórias, amplia horizontes e fortalece tanto a vida profissional quanto pessoal.
O intercâmbio internacional é muito mais do que uma viagem: trata-se de uma experiência transformadora, capaz de impactar profundamente a vida acadêmica, profissional e pessoal de adolescentes, jovens e adultos. Ao unir aprendizado de um novo idioma, contato com diferentes culturas e a oportunidade de desenvolver autonomia, essa vivência abre portas para o crescimento individual e profissional.
Além do enriquecimento cultural, o intercâmbio amplia horizontes, fortalece a independência e oferece a chance de viver algo completamente diferente da rotina habitual, criando memórias e aprendizados que acompanham o estudante por toda a vida.
O momento mais difícil para Wilma, que ainda não é uma realidade para Isabella e Regiane, foi retornar da experiência inesquecível.
“Foi a parte que mais me custou emocionalmente, porque você bem sabe que é um processo muito burocrático a gente ir, mas eu acho que quando você vai, você está com expectativa, você está animada. Mas quando você volta, você já realizou o seu sonho. Ao mesmo tempo, muita gratidão, mas é uma saudade dolorida” finaliza Wilma.






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