Em avaliações escolares, acadêmicas ou profissionais, muitas pessoas apresentam sinais de ansiedade. Essa condição pode interferir na capacidade de raciocínio e até mesmo no desempenho durante a realização das tarefas avaliativas. 

Segundo a psicóloga Heloisa Stoeberl, a reação ansiosa está associada a diferentes tipos de alterações, em que momentos de avaliação fazem o corpo interpretar a situação como uma ameaça. “Isso desencadeia respostas físicas, como taquicardia e tensão muscular, e cognitivas, como dificuldade de concentração”.

Outros sintomas são aumento da frequência cardíaca, aceleração da respiração e bloqueios momentâneos de memória. 

No Brasil, levantamentos indicam prevalência elevada de ansiedade em situações avaliativas. Pesquisa realizada com estudantes do ensino médio identificou que 62,5% dos participantes apresentaram ansiedade em provas, sendo 66,9% entre meninas e 55,9% entre meninos. 

Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA (OCDE, 2015) apontam que 80,8% dos alunos brasileiros de 15 anos relataram sentir ansiedade durante provas, mesmo quando se consideravam preparados. 

Além disso, um mapeamento da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo em parceria com o Instituto Ayrton Senna (2022) mostrou que cerca de 70% dos estudantes relataram sintomas de ansiedade ou depressão.

Do cotidiano às avaliações

O estudante Vitor Gabriel, 11 anos, relata: “Sinto medo de reprovar e ser o único a ficar atrasado”, além de também comentar sobre a insegurança em apresentações. “Quando tem apresentação ou atividade em que eu tenha que falar com a sala toda, não consigo olhar diretamente pra quem está me olhando, procuro olhar pra baixo ou pra alguém que eu conheça a mais tempo”. 

Esses comportamentos mostram que a ansiedade pode se manifestar de forma precoce e influenciar tanto o desempenho quanto a forma de interação em sala de aula.

A ansiedade atinge crianças de diferentes faixas etárias. Fonte: Ana Paula Campos

A experiência não se restringe ao ambiente escolar. Hemilly Muller, 23 anos, relata sua ansiedade ao realizar as provas para aquisição da Carteira Nacional de Habilitação(CNH). 

No momento de realizar a prova, a estudante sofre com as consequências da ansiedade. “Senti as mãos frias, suadas, o meu corpo tremia, as pernas balançavam e eu não conseguia simplesmente parar, precisando repensar meus movimentos por mais de uma vez. Além de passar a noite anterior em claro revisando todas as dicas e instruções que eu recebi durante as aulas, isso me gerou fadiga, cansaço e perda de foco durante a avaliação”

Após uma crise, é comum ter fadiga intensa, dificuldade para retomar os estudos e até mesmo redução da autoestima. Em alguns casos, o impacto pode levar a evitar novas situações avaliativas, como vestibulares, entrevistas de emprego ou processos seletivos internos. 

Há solução para controlar a ansiedade?

Segundo a psicóloga Alessandra Seratto, exercícios de respiração, pausas programadas e revisão de conteúdo em blocos menores de estudo ajudam a reduzir a sobrecarga mental. Ela aponta ainda que é importante não negligenciar o descanso antes da avaliação.

Outro ponto apresentado por ela é: “Buscar evitar a antecipação. Isso pode gerar dificuldades em lidar com novas experiências, e uma insegurança ainda maior dependendo da situação na qual a pessoa se encontra”.

“O autoconhecimento é muito importante, reconhecer os sintomas e sinais para buscar apoio, seja com orientações práticas ou até mesmo acompanhamento psicológico ou médico”. Alessandra Seratto, psicóloga

Medo ou ansiedade? Entenda a diferença

A diferença entre medo e ansiedade é um ponto importante para compreender as reações em avaliações. 

  • O medo costuma estar associado a um perigo real e imediato, que exige uma resposta rápida de proteção. 
  • A ansiedade de desempenho está relacionada à antecipação de algo que ainda não aconteceu, muitas vezes baseada em hipóteses ou expectativas.

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