Em 2023, a escritora Ana Paula Moliani publicou seu livro “Camila” que narra a vida de uma mulher que sofre com a violência em diferentes fases da vida, violência essa que parte de homens que eram seus parentes e companheiros. Após dois anos da publicação, o tema continua a reverberar na sociedade brasileira e os dados evidenciam o longo caminho que ainda precisa ser trilhado.
No mesmo ano em que “Camila” chegou ao mercado, 3.903 mulheres foram vítimas de homicídio, de acordo com o Atlas da Violência 2025. No entanto, se os casos não notificados forem levados em consideração, esse número é ainda maior: 4.492 mortes.

A maioria dos casos de violência ainda acontece no contexto doméstico, assim como representado no livro “Camila”. Dados de registros policiais catalogados pelo 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apontam que 64,3% dos casos de feminicídios ocorreram dentro de casa em 2023.
Existem diferentes tipos de violência contra a mulher. A violência doméstica e intrafamiliar é classificada pelo Ministério da Saúde como casos que ocorreram entre os parceiros íntimos e membros da família, principalmente no ambiente da casa mas também em outros locais.
Nesse caso, são considerados toda a ação ou omissão que de alguma forma prejudique o bem-estar, a integridade física, psicológica ou a liberdade e o desenvolvimento de outra pessoa da família.



Violência doméstica: quais são os tipos mais comuns?
A casa segue sendo o ambiente onde o agressor se sente mais confortável para agir com violência. Além disso, é dentro desse contexto que as convenções de poder patriarcais e estruturais estão mais evidentes.
No ano de 2023, 177.086 dos casos registrados foram classificados como violência doméstica.
Nesse sentido, os principais tipos de violência praticados contra a mulher no ambientes doméstico e intrafamiliar são:
- Violência física: atos violentos, nos quais se fez uso da força física de forma intencional, com o objetivo de ferir, lesar, provocar dor e sofrimento ou destruir a pessoa, deixando, ou não, marcas evidentes no seu corpo.
- Violência psicológica/moral: rejeição, depreciação, discriminação, desrespeito, cobrança exagerada e punições humilhantes. É toda ação que coloque em risco ou cause dano à autoestima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa.
- Violência sexual: ocorre quando uma pessoa, utilizando-se de sua posição de poder e fazendo uso de força física, coerção, intimidação ou influência psicológica, com uso ou não de armas ou drogas, obriga outra pessoa, de qualquer sexo e idade, a ter, presenciar ou participar de alguma maneira de interações sexuais, ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, com fins de lucro, vingança ou outra intenção.
- Negligência/abandono: ocorre quando as necessidades e os cuidados básicos para o desenvolvimento físico, emocional e social da pessoa não são cumpridos. O abandono é considerado uma forma extrema de negligência.


Como denunciar
Em caso de violência contra a mulher ligue para o 180 e denuncie. Também é possível entrar em contato com a Delegacia da Mulher, que em Guarapuava conta com o número (42) 3630-1700.






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