Guarapuava, localizada no interior do Paraná, é considerado um município polo no setor de madeira reflorestada. Mesmo não sendo o principal produtor e exportador do material beneficiado no Estado, conta com uma história ligada ao setor produtivo.  

Com as recentes disputas entre Brasil e Estados Unidos, que envolvem a taxação de produtos nacionais, empresas do ramo estão em alerta. Uma delas é a Millpar, que se destaca pela produção de itens de alto padrão para a construção civil mundial. Mais de mil colaboradores trabalham na empresa, e destes, 720 (65%) entraram em período de férias coletivas há 45 dias, quando as primeiras disputas internacionais iniciaram.  

Luiz Fernando dos Santos, trabalhador do setor de controladoria da Millpar, explica que a medida já estava prevista para momentos como este.  “Com as férias coletivas, diminui-se o número de máquinas operando e, com isso, reduz-se custos como energia elétrica, transporte e alimentação dos funcionários”.

As férias coletivas, previstas no Art. 139 da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), podem ser estabelecidas pelo empregador desde que cumpridos os prazos de aviso aos colaboradores.   “A empresa já tinha um plano de contingência e possuía um capital de giro robusto para ser mantido durante um período, mantendo a produção de forma paralisada se necessário”, afirma Luiz Fernando.

Colaboradores do setor de madeira foram afetados pelas medidas do chamado “Tarifaço”. Fonte: Millpar 

Depois de efetivar as férias coletivas, no entanto, a empresa decidiu encerrar suas atividades no município de Quedas do Iguaçu e demitir colaboradores de Guarapuava. A empresa não divulgou o total de cortes. 

Estratégias adotadas para enfrentar a crise

Além das férias coletivas para os colaboradores, negociações diretas com clientes internacionais estão nas estratégias adotadas pela Millpar para enfrentar a possível crise. Como esclarece Luiz Fernando, foram antecipadas negociações para ajustar valores, adiantar pedidos ou programar envios, minimizando o impacto das instabilidades do mercado externo.

Esta não foi a primeira crise que o setor madeireiro de Guarapuava e brasileiro precisaram enfrentar. Durante a recente alta do dólar, bem como a crise estadunidense do ano de 2008, reduziram o consumo de madeira e as exportações também tiveram queda significativa. 

Ainda assim, no ano de 2024, superando muitos desafios, o setor foi o responsável por movimentar U$627 milhões de dólares em exportações de produtos florestais oriundos apenas no Estado do Paraná. 

Atualmente, de acordo com a Associação Paranaense de Empresas de Base de Madeira e Florestal (Apre) o setor madeireiro contava, até a publicação dessa reportagem, com cerca de 400  mil empregos diretos e indiretos.

Millpar confirma demissões, mas mantém operações em Guarapuava

Após o “tarifaço” de importação dos Estados Unidos de 10% para 50% sobre produtos brasileiros, a Millpar anunciou novas medidas para conter a crise, incluindo o fechamento de uma de suas fábricas, localizada no município de Quedas do Iguaçu. Estima-se que cerca de 130 pessoas perderam seu emprego apenas nessa ação. 

 Em nota, a empresa confirmou que houve necessidade de demissões, já que o atual cenário não avançou e as tarifas seguem assustando o mercado. Ainda assim, a unidade de Guarapuava continua em funcionamento, mas também teve corte de funcionários.

O que é o tarifaço e como ele atinge a economia brasileira?

Em agosto de 2025, as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos passaram por uma mudança com o anúncio do chamado “tarifaço”, que prevê tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

Atualmente, os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações brasileiras, somando US$ 40,3 bilhões (12% do total), atrás apenas da China, com US$ 94,3 bilhões (28%). 

O tarifaço ainda não foi concretizado integralmente, pois dias antes de entrar em vigor, em 30 de julho, a Casa Branca anunciou uma lista de produtos isentos, válida a partir de 6 de agosto, reduzindo parcialmente os efeitos esperados da medida. 

Enquanto a medida não é concretizada, já se tem noção dos produtos que mais serão afetados se o tarifaço realmente acontecer. Café, carne bovina, açúcar e madeira poderão ter tarifas de até 50% do valor. 

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